sexta-feira, novembro 17, 2006

O último dia...



Hoje dei comigo a pensar de como será o último dia de trabalho. Aquele que antecede a passagem à categoria de reformado.

Posso estar muito enganado, mas olho para esse momento e vejo-o como um longo espasmo de dor e angustia.

Um momento onde a pressão de amanhã sem aquela rotina habitual se fazer sentir, faz com que se criem elevados níveis de uma estúpida ansiedade que nos vai dilacerando e nos pode levar à loucura, com um bombardear constante de : Amanhã vou.... onde vou ? Que vou fazer ?

pode parecer estúpido dizê-lo a uma distância de quase 30 anos, mas eu não me quero reformar. Quero sim, a partir de uma determinada idade, diminuir a carga horária laboral de forma progressiva. Mas reformar ? Do género, amanhã ... é um vazio, uma incerteza !

Quando o pessoal vai de férias é deferente, pois sabe que vai regressar. Na reforma, fica a incerteza de ocupar o tempo...

Há pessoas que anseiam o dia de se reformarem. Dizem-se estar fartos de trabalhar. Se realmente estão fartos, então eu vejo-os como pessoas que levaram uma vida profissional de frustração. Passaram anos de vida a desejarem o fim do mês, não se realizando.

Muitos são aqueles que olham para os reformados como mais uns impecilhos para a sociedade de consumo, onde vão haver gastos estúpidos com medicamentos, etc e tal...

Eu vejo-os como pessoas que atingiram uma meta e que, podendo serem úteis no desenvolvimento social de causas e acções de âmbito privado ou público, devem ser aproveitados no seu saber e vontade.

Muitos são os reformados que se deixam cair na triste espera do dia final, somente executando o passeio matinal que vai escasseando ao longo do tempo.

Encafuados em casa, esperam que a morte lhes bata a porta.

Eu não me quero reformar. Quero-me readaptar ao longo dos anos, para quando chegar o dia da angustia poder dizer:

"Não me vou reformar. Vou diminuir a carga horária laboral e flexibiliza-la".

de bem com a vida - Jorge Ortolá

11 comentários:

Ricardo disse...

só há uma solução para não acelerar o envelhecimento após a reforma... que é...
Continuar a trabalhar.
mesmo que seja só em bricolage

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Jorge:

Estás a pensar mal meu bom amigo.
Deves antes dar graças por teres atingido essa bonita meta de chegares á reforma.
Lembra-te sempre que:

a vida é bela...
nós é que damos cabo dela

e que:

Viver não custa,
custa é saber viver.

....oooO
....(....)... Oooo
.....)../. ...(....)
....(_/.......)../
..............(_/
....oooO
....(....)... Oooo
.....)../. ...(....)
....(_/.......)../
..............(_/


Desejo-te um óptimo fim de semana.
Um abraço,

mari... disse...

Todas as mudanças drásticas têm tendência a assustar-nos não é? Há sempre uma forma de combatê-las que é encontrar forma de as minimizar...
Entrar na reforma pode não significar deixar de trabalhar (significa apenas deixar de ter obrigação de desempenhar determinada função no emprego)
porque trabalho há-o sempre ;)
Que tudo te corra bem!
bjinho de uma amiga ribatejana...

Ricardo disse...

E então o jantar de Bloguistas sempre vai para a frente ou ficou em aguas de bacalhau?
abraço

belinha disse...

O trabalho liberta.Isto estava escrito à entrada de um campo de concentração nazi.( E isto não tem nada a ver, mas lembrei-me!)É verdade que há pessoas que anseiam pela reforma pelas mais variadas razões: não gostam do que fazem, querem dedicar-se a outra actividade, não gostam mesmo de trabalhar, etc,etc.Mas a reforma é benéfica pois permite a entrada de novas pessoas para os lugares que ficam vagos, permite uma certa renovação que julgo ser necessária.O que eu gostava mesmo era que houvesse possibilidade de podermos trabalhar menos horas ao longo da vida para nos sobrar tempo para outras actividades, para dar mais atenção à família, para estudar, para viajar. Tenho a certeza que a sociedade seria muito melhor.Todavia isto é impossível! É que na idade da reforma já é muitas vezes tarde para fazer essas outras actividades.E afinal esse período de tempo que poderia ser uma recompensa pelos tempos passados pode resumir-se a quase nada-como vai estar a nossa saúde mental e física ao tempo da reforma?Eu devo estar um vegetal...Bom fds!

Onde há Galo... disse...

Jorge, não me importava nada de me reformar e... ir para o Brasil (ahhh, Copacabana), para o Hawai, para Cuba, para uma ilha qualquer do Pacífico onde temos à nossa volta "uns ronronares" de fio dental e em topless. Tocou o despertador... Bom fim de semana.

a Prinçusa disse...

as pessoas nunca param.

Mariana disse...

Acho que faz(es) bem =)

Parar é morrer.

Beijinhos.

veritas disse...

Olá Jorge:

Penso como tu. Sou, e sempre fui, uma pessoa extremamente activa e exigente comigo mesma. Quero sentir-me útil, válida à sociedade em que estou inserida, participar activamente em todas as acções para que estou vocacionada... e aprender sempre mais...não sou conformista. Nem quero pensar na palavra reforma...dá-me uma sensação amarga de vazio, de abismo...

Bjs e uma boa semana para ti.

Mocinha_Madura disse...

Olá...passo pelo seu blog várias vezes, gosto de o visitar, e hoje não posso deixar de deixar a minha opinião: não estou de acordo com "reforma" ser igual a "espera da morte", ou "inatividade", nada disso, temos que ser activos sempre, enquanto possamos, seja de que modo for. No entanto, atrevo-me a dizer-lhe ( porque também eu já assim pensei!), que é precisamente porque ainda lhe faltam 30 anos para que chegue esse dia, que assim pensa!!
Vai ver que, com o passar dos anos, as coisas vão mudando...

Um beijo de "uma reformada"!! rsrsrs

Mocinha_Madura disse...

Uma correcção ortográfica: "inactividade" e não inatividade...peço desculpa.